ASAS DE RELÓGIO - Poema de Tarso Correa
O tempo, simplesmente o tempo.
Deixei para trás os pesos que ele impõe,
Hoje não os carrego,
Sou carregado pelo tempo.
Não coleciono minutos, horas, dias e nem anos,
Coleciono momentos e tudo que ele propõe.
Os tristes, vivo os como coisas passageiras,
Os alegres, eternizo na pele, como o arrepio da água fria da cachoeira
Marquei meu caminho com as marcas pesadas do desalinho.
Das ansiedades e frustrações,
Inquietações caladas,
Preocupações secas em seus vasos ocos
E as alegrias dos encontros e desencontros,
Que ficaram jogadas por aí.
Hoje flutuo em mim
Sou presente, presente em mim,
Sem passado e sem a obrigação do futuro,
Sou inteiro em mim,
Na minha solitude.