Sem Nzala - poema de Tarso Correa
Blog sobre poesias. Poesias que gritam as mazelas humanas e seus encantos; suas perdas e microcefalias sociais, em que somos atores das nossas frustrações, buscando a receita da felicidade.
Tenho dois livros e-book na Amazon, o primeiro" O Tempo em Minha Pele" são coletâneas de poemas que retratam as marcas do tempo no corpo e na alma. O segundo livro " Vozes Rasgadas da Cidade ' livro denso de poemas que mergulham nas entranhas da desigualdade social. pesquisem.pelo meu nome Tarso Correa, ou pelos livros: O Tempo em Minha Pele e Vozes Rasgadas da Cidade.
O Tempo em Minha Pele B0GCL6BPSD
Vozes Rasgadas da Cidade B0GFXGZXRY
Vale a pena , boa leitura.
Tenho dois livros e-book na Amazon, o primeiro" O Tempo em Minha Pele" são coletâneas de poemas que retratam as marcas do tempo no corpo e na alma. O segundo livro " Vozes Rasgadas da Cidade ' livro denso de poemas que mergulham nas entranhas da desigualdade social. pesquisem.pelo meu nome Tarso Correa, ou pelos livros: O Tempo em Minha Pele e Vozes Rasgadas da Cidade.
Vale a pena , boa leitura.
ASAS DE RELÓGIO - Poema de Tarso Correa
O tempo, simplesmente o tempo.
Deixei para trás os pesos que ele impõe,
Hoje não os carrego,
Sou carregado pelo tempo.
Não coleciono minutos, horas, dias e nem anos,
Coleciono momentos e tudo que ele propõe.
Os tristes, vivo os como coisas passageiras,
Os alegres, eternizo na pele, como o arrepio da água fria da cachoeira
Marquei meu caminho com as marcas pesadas do desalinho.
Das ansiedades e frustrações,
Inquietações caladas,
Preocupações secas em seus vasos ocos
E as alegrias dos encontros e desencontros,
Que ficaram jogadas por aí.
Hoje flutuo em mim
Sou presente, presente em mim,
Sem passado e sem a obrigação do futuro,
Sou inteiro em mim,
Na minha solitude.
Descontinuo - poema de Tarso Correa
Coloquei minha vida em uma caixa,
Limitada, sem espaço,
Cerrada em quatro cantos
Mas não tinha caixa,
Então, procurei algo mais amplo, mais etéreo.
Coloquei no balão.
Sem quinas, mas o espaço também era limitado,
Mas não tinha balão,
Fiquei perdido e coloquei na água,
Fluida,
Mas não tinha água
Então busquei algo que me desse segurança,
Plantei minha vida na terra,
Não germinei,
Sem rumo e direção
Coloquei minha vida no aleatório
Criei asas, voei, ampliei, horizonte virei.
De mãos dadas… - Poema de Tarso Correa
Meu filho, hoje é meu pai,
As minhas ideias se misturam,
Esqueço muitas coisas,
Sofro o passado como se fosse presente.
O tempo é lento, carente
O futuro de braços dados com o passado é o hoje, tudo se abstrai.
Ontem fui rompante hoje uma mente frágil e
corpo miudo,
Minha mente uma caixa de lembranças misturadas, desconexas,
E outras simplesmente se esvaíram, apagaram, deixando espaço vazio, como meu olhar para o nada.
Lembranças nubladas pela catarata do tempo.
Abstratas.
Fico a flutuar em um mundo volátil, desnudo.
A cada passar do calendário,
Enrijeço, torno refratário , em um espaço vazio,
Oco, igual a mim,
Uma caixa de retratos misturados, sem data,
Sem significados
Sem importância,
Pura impedância.
SUBSTANCIAR - poema de Tarso Correa
A vida é apego, aconchego
É apertar os nós, alguns desatar
Deixar partir e chegar;
Alguns chegam nos envolvendo
Como um trançar de braços
Outros se vão em passos lentos
Que a gente nem percebe o seu distanciar.
A vida é um enlaçar de almas
Nesta dança frenética
De chegadas e partidas, de idas
e vindas
A vida é atrito neste baile de uma música só.
É o vagar as vezes sem ninguém ao teu lado, outras embaralhados, condensados num compasso de grande laço.
E neste ritmo de apertar e soltar
De substanciar e evaporar
O tempo passa e repassa
Na única certeza de amar e deixar se amar .
Sem Nzala - poema de Tarso Correa