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sábado, 16 de junho de 2018

A MORTE DO POETA

A MORTE DO POETA - poema de Tarso Correa

A morte para o poeta não é física,
E sim de sentimentos;
Que se apresenta tísica,
Esquelética e ressequida,
Nublando a dor não sentida,
O amor não correspondido;
É viver e não ver,
A cor e seus matizes,
O cinza, suas sombras e cicatrizes;
É não abraçar, não viver e morrer,
É simplesmente se perpetuar em um só momento.

terça-feira, 1 de maio de 2018

PÍLULAS DE LIBERDADE

PÍLULAS DE LIBERDADE - poema de Tarso Correa

Cartelas de comprimidos jogados ao chão,
De vários gostos e cores que provocam letargia e ilusão;
Deitado na cama, em minha solidão,
Num sonho longo, mirando o teto com minhas pupilas dilatadas,
Vejo o filme desconexo da minha vida,
Que se esvai na baba gosmenta que sufoca a minha tristeza entalada;
Um fim, sim um fim;
A única saída encontrada,
Por não ter e ver sentido,
Em tanta dor, em um mundo sem cor
Sem solução, num mundo de desilusão;
Sim, um fim;
Pelo menos no final, coloro o adeus,
Em capsulas multicores,
Dando fim as minhas dores.

domingo, 4 de março de 2018

EROSÃO DA INFÂNCIA

EROSÃO DA INFÂNCIA - POEMA DE TARSO CORREA

Pulseirinha de miçanga,
Chinelo de dedo;
Em casa uma boneca estragada, jogada num canto,
Igual a vida desta criança,
Perdida entre a inocência e o medo;
Uma vida tragada pela falta de oportunidades,
Em um mundo indiferente e de maldades;
Da penúria do dia,
Para a penumbra da noite;
Batom nos lábios infantis,
Saboreada por olhos vis;
Enclausurada na estrada, esquina de um posto de gasolina;
Trancinha no cabelo,
Púbis sem pelo,
Transpirando cheiro barato de lanolina;
Por dez reais, não mais,
Para matar a fome,
Comprar o arroz com feijão,
Mais um dia, uma noite de incertezas, desilusão,
Na boleia de um caminhão,
Vendendo o corpo miúdo, ainda em formação;
Olhinhos assustados, com lágrimas que secam antes de cair,
Sugando sonhos não sonhados,
Lavados pelo gosto amargo do dinheiro,
Da pureza que esvai rasgada pela violência e a doença,
De uma vida diluída, da infância a sucumbir.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

EMBOCADURA SOCIAL

EMBOCADURA SOCIAL - POEMA DE TARSO CORREA


É pouco chão para muita bunda,

Muito alfabeto para poucas cabeças,

Muito cabresto para muitos eleitores,

Muitos controles para muitas letras mortas;

São formigas nas trilhas tortas,

Seguindo hipnotizadas pelos seus coletores,

Sonhando acordados sonhos que os favoreça,

Carregando nas costas corcundas,

O peso do flagelo da ignorância,

De um mundo sem oportunidades,

De uma vida mesquinha em desalinho,

Limitada, atolada;

Da infância à velhice mergulhada na passividade,

Em plena anulabilidade.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

LADAINHA DO SERTÃO

LADAINHA DO SERTÃO - poema de Tarso Correa

A terra rachada,
Como a sola dos meus pés,
A alma magoada, amarrada,
Engaiolada igual passarinho;
Ninho de aguapés;
A boca seca,
Vazia sem som,
Como o rio morto que não corre mais,
Terra de sal,
Pasto de cupinzal;
No horizonte as cores amareladas,
Como o fogo na terra,
A dor de uma guerra, luta sem fim,
Carcaças embalsamadas, perdidas no solo,
Na cabeça os sonhos desfeitos;
Magoa que não passa e pereça;
Fonte sem água,
Crianças sem colo,
Assustadas de olhos esbugalhados e barrigas inchadas,
Arrastadas por suas mães, mulheres prenhas do sertão;
Os calos das minhas mãos,
Batem no cabo da enxada o cascalho,
Cavando nãos;
Em ritmos do suor molhando o chão;
Um vazio arranhado, desta terra abandonada;
Que ressequida choras suas lágrimas secas;
Destes corpos sofridos,
Que lutam os sonhos perdidos;
Na lamúria dos pés arrastados,
Das caminhadas pelo chão de terra batida,
Levando a lata na cabeça,
A água barrenta,
O pagamento pela resistência,
Sofre o povo,
Sofre o bicho
Bicho morre,
O povo resiste.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

COTIDIANO ARRASTADO


COTIDIANO ARRASTADO - poema de Tarso Correa

No cristalino dos meus olhos,
O reflexo do concreto se condensa;
No compasso do relógio,
Vejo pessoas atabalhoadas,
Em um mundo que passa em flashes multicores,
Misturas de neons, sons e energias agrilhoadas;
Passa o dia vem a noite,
De seres buscando a compensação, o alcalino;
Consciências em litígios,
Entre o sinônimo e o antônimo,
Buscando algo que lhes compensem;
As suas dores, momentos cinzas sem cores,
Vidas opacas que se misturam, embrulham;
Neste caldo chamado sociedade;
Entre lágrimas e sorrisos num mundo pela metade,
Buscando renovar o tempo, na esperança de um novo dia;
Mas tudo reinicia, no mesmo compasso,
Arrastado pelo cotidiano, levado pelo medo do desconhecido,
No mesmo ritmo desta massa disforme,
Na letargia de quem dorme,
Em um lapso temporal perdido,
No mesmo passo, raso,
Lasso.

domingo, 14 de maio de 2017

Verdades Puídas

Verdades Puídas - poema de Tarso Correa

A verdade é um pouco das mentiras que nos contam!
Várias incorporei por comodidade,
Outras por ignorância,
Algumas por interesse;
Hoje minha vida é um rosário de contas de meias verdades,
Histórias atadas por fios, que se confrontam e amedrontam;
Ambiguidades sopradas por lábios que sibilam,
Conveniências envoltas em névoas de sedução,
Embalsamadas em papéis de seda da falsa afeição;
A verdade mesclada à mentira,
Atada em ácidas tiras,
Apaga-se das memórias,
Enclausuradas em divisórias,
Do claustro do tempo,
Que tudo apaga, afaga,
Lacrando com a lápide do esquecimento.

A MORTE DO POETA

A MORTE DO POETA - poema de Tarso Correa A morte para o poeta não é física, E sim de sentimentos; Que se apresenta tísica, Esquelética ...