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domingo, 4 de março de 2018

EROSÃO DA INFÂNCIA

EROSÃO DA INFÂNCIA - POEMA DE TARSO CORREA

Pulseirinha de miçanga,
Chinelo de dedo;
Em casa uma boneca estragada, jogada num canto,
Igual a vida desta criança,
Perdida entre a inocência e o medo;
Uma vida tragada pela falta de oportunidades,
Em um mundo indiferente e de maldades;
Da penúria do dia,
Para a penumbra da noite;
Batom nos lábios infantis,
Saboreada por olhos vis;
Enclausurada na estrada, esquina de um posto de gasolina;
Trancinha no cabelo,
Púbis sem pelo,
Transpirando cheiro barato de lanolina;
Por dez reais, não mais,
Para matar a fome,
Comprar o arroz com feijão,
Mais um dia, uma noite de incertezas, desilusão,
Na boleia de um caminhão,
Vendendo o corpo miúdo, ainda em formação;
Olhinhos assustados, com lágrimas que secam antes de cair,
Sugando sonhos não sonhados,
Lavados pelo gosto amargo do dinheiro,
Da pureza que esvai rasgada pela violência e a doença,
De uma vida diluída, da infância a sucumbir.

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