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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

sonhos calejados


Poema de Tarso Correa




Sonhos calejados




Cativo suburbano,
Zumbi do cotidiano,
Pula da cama abraçado pela noite,
Veste suas roupas surradas pelo tempo,
Prepara-se para mais um dia costurado pelo açoite;
Embrulha sua marmita de arroz, feijão e ovo,
Ajeita seus sonhos puídos pela agonia,
Desce o morro, mistura-se ao povo;
Empurra e é empurrado para dentro de caixas de lata,
Que ziguezagueiam pelo ventre da cidade,
Que indiferente o recebe com sua ambiguidade;
Passa o dia, passa as horas amarrotadas, suadas,
Espremidas em um galpão;
Lutando por um ideal, muito mais que um pedaço de pão;
Mas o sol, cansado da rotina,
Fecha os olhos, apaga a tua luz da retina,
Imprimindo suas sombras nas sombras do pensamento do operário,
Que acomoda sua dor, banhada pela cor,
Do trabalhador sonhador.

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